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Da base esquecida à UnB: A história do Igor.

Igor tem 16 anos, e estuda numa escola pública na Asa Norte, no DF. O bairro é chique, mas a escola dele não o é. A mãe, como tantas outras, trabalha como diarista por ali, embora more longe, no Goiás, como dizemos por aqui. 



Ele se juntou a nós há um ano, um adolescente calmo e focado. Como todos - repito, TODOS - que chegam no projeto, ele não conseguia somar frações simples e apresentava dificuldades sérias em qualquer operação aritmética além do elementar. Isso no primeiro ano do ensino médio. 



O conteúdo que ele não dominava é ensinado a partir do 3 ano do ensino fundamental, e se consolida no quarto e quinto anos. Estamos falando do antigo primário e atual “ensino fundamental 1”. 



Provavelmente o conteúdo foi ensinado e ele aprendeu e esqueceu, ou nem aprendeu direito, sei lá. Só sei que não sabia mais (é a regra geral), embora tais habilidades sejam o feijão com arroz de tudo o que vem depois disso. E vieram 5 anos escolares. Não é pouco. 



Igor não é malandro, cumpre suas obrigações direitinho e aprende rápido. Como um rapaz assim não sabe operar frações simples aos quinze anos? A escola em que ele estuda não é melhor nem pior que outras. Ele é e sempre foi um bom aluno, então como pode ter fundamentos tão furados?



Bem, não estamos aqui para lutar contra o sistema. Todos sabem que não funciona muito bem, como o PISA insiste em nos lembrar (e o SAEB e qualquer avaliação ampla). Estamos aqui para ajudar a molecada que está dentro do sistema a RECUPERAR OS FUNDAMENTOS e a sonhar com algo mais. 



Trabalhamos com ele o ano todo - português e matemática - por meio da plataforma Khan Academy e das orientações dos tutores. No Programa de Avaliação Seriada (PAS) do DF, ele se sentiu confortável nas questões de matemática, um milagre pra quem teve de lidar com 6 meses de ausência de professor. 



Além disso, alcançou inacreditáveis 7.5 na redação. Nossa professora Camila ficou orgulhosa com razão. Ele quer estudar história na UNB. Ninguém na família chegou perto disso até hoje. Eu acredito nele. 



Na outra foto, nossos tutores - de 20 a 70 anos!



Sabemos que os desafios são do tamanho da nossas pretensões e, tomara, das recompensas. Então, em vez de contar sobre planos incríveis e metas absurdas - ambos ainda em elaboração - melhor falar do Igor mesmo. 



Bom é começar o ano com boas notícias.


 
 
 

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